quarta-feira, 24 de outubro de 2007

VOTO DE POBREZA PARA VIRAR SANTO

No meu ver, a blogosfera tem praticado algo maravilhoso que se chama auto-regulamentação. Não é imposto por uma associação, junta, cooperativa, nem nada. É fruto apenas do direito de resposta que não é dado, é simplesmente adquirido. Basta, teoricamente, ter um blog. Percebo que a pluralidade de milhões de opiniões acaba sempre por equilibrar a balança de pensamentos e posições. Quando abro meu reader e vejo de um lado o pessoal que ganha “dinheiros” com blogs defendendo (e se defendendo) a monetização e uma outra parte que abomina lucrar com isso atacando essa prática, respiro sossegado, como publicitário. Dá tranqüilamente para dizer que a ferramenta tem bastante para crescer e amadurecer e que as agências e as empresas ainda podem aprender muito com esses meus colegas.

Saindo um pouco da elite blogueira brasileira, tento encarar o pensamento dos blogueiros “amadores”, aqueles que ainda não acreditam, ou não querem acreditar, ser possível ganhar dinheiro com seu diário virtual, tanto por falta de conhecimento como por falta de audiência. Aqueles que não são alvos das pré-estréias, dos produtos em primeira mão, dos comis e bebis, etc.

Deve ser bem parecido com o que eu penso, e que mais ou menos já foi dito também pela Juliana (post do dia 28 de junho, sem link direto). Raramente escrevo sobre produtos aqui, apenas sobre os livros que estou usando na minha monografia, e que na tentativa de tirar um troco honesto, são linkados através do programa de afiliados, no Submarino. Mas nunca, por exemplo, falaria sobre marcas de lentes de contato. E isso que eu uso óculos! O tema que me propus à blogar não favorece esse tipo de post. Mas não seguro a língua para falar das agências de publicidade da região, por exemplo. Se a minha opinião importa? Bom, depois do boom blogdeguerrilha, os acessos aumentaram consideravelmente e meus assinantes de RSS triplicaram (é anti-ético na blogosfera também falar dos seus próprios números? Isso soa como jabá? Ah, como diz o Cardoso: FODA-SE!)… logo diria que para minha audiência, sim. Agora se o que o “meu” público pensa é relevante de alguma forma para as agências, daí eu já não sei…

É por isso que corporativamente o melhor a fazer sempre é ficar de olho na internet, nos blogs, no orkut, sobre o que as pessoas falam de determinados produtos. Essa onda de purificação, esterilização e endeusamento dos blogs ainda está longe de acontecer (ufa!). Há ainda muita gente sensata na rede (como o Carlos Cardoso, talvez), que mesmo ganhando dinheiro com seu blog, não entrou, como ele explica, na neurose de escrever ou não escrever sobre determinados produtos, com medo de parecer um porco capitalista jabazento.

Credibilidade é diferente de omissão. Quem se omite sobre qualquer assunto, para mim, perde credibilidade. Se rende post, por que não escrever, oras bolas?

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