De fato há um quê de contraditório em sempre sugerir ações de baixo custo, levando em consideração que uma agência precisa sobreviver, pagar funcionários, sustentar uma estrutura e arcar com os impostos, todo mês. Na SECOM deste ano, Fernando Rösing expôs o assunto, uma preocupação cada vez maior em estruturas grandes como a da agência Escala, de Porto Alegre. Muitos setores, muitos profissionais trabalhando nas diversas áreas da comunicação como promo, bellow the line, internet, etc, etc. Agências cada vez mais profissionalizadas e sendo geridas como empresas. Afinal, é possível sobreviver e prosperar no mercado sem comprar mídia ou apenas sugerindo ações baratas e diferenciadas aos clientes?
Não sei vocês, mas para mim contraditório é uma agência sobreviver das bonificações de produção e veiculação, fazendo com que o cliente gaste (ou “invista”?) mais e mais em mídia, para aí sim sustentar uma estrutura gorda de funcionários e setores.
Talvez não seja as respostas que o Fábio Schmitz e as agências procuram. Mas acho que junto com esses novos passos da comunicação, caminharemos para algo mais ou menos assim:
- Guerrilha, advergame, interatividade, mobile, blogs, promo, PDV… São muitos braços para se pensar. Talvez a eficiência resida em estruturas pequenas e enxutas responsáveis por alguns setores cujo as grandes agências tradicionais não conseguirão abraçar. Basta a gerência correta de todas essas mini empresas trabalhando cordenadamente em função de um objetivo comum.
- Reeducação do cliente e da agência, entendendo que é necessário sim cobrar a criação, tornando a empresa cada vez menos dependente das comissões e bonificações. Marcelo Vial comentou sobre isso no Yahoo! Big Idea Chair, ao afirmar que a Salem, quando propõe uma ação de guerrilha através do seu braço guerrilheiro, não se sente constrangida em cobrar a mais pela criação.
Posso estar errado, mas mesmo que a criação tenha um peso maior no orçamento, o fato de não haver a compra de mídia acaba desonerando consideravelmente a soma total lá no final, quando o cliente fecha as contas.
- Pensar e sugerir novos modelos de remuneração, talvez? Algo que englobasse os custos de se manter pessoas criativas pensando soluções interessantes, ao mesmo tempo em que viabilizasse a manutenção de uma estrutura física. Tudo relacionado sempre ao objetivos do cliente, afinal, ele sempre vai ser o “dono da verdade”.
Eu sou moleque ainda, eu sei. Mas essas são apenas algumas frases soltas que visam abrir e expandir um pouco a mente de todos. A questão é muito mais complexa do que possa parecer, e envolve também pesquisa de mercado, resultado de ações, planejamento e outros detalhes que interferem no resultado final do trabalho.
Fato é que o assunto está aí e é a hora. Muito se diz que com o advento da Web 2.0 temos de rever nossos conceitos de emissor, receptor e mensagem. Mas também precisamos ser um pouco mais práticos e tocar a consciência de que sem dinheiro não se faz nada hoje em dia. Está na hora de usar a criatividade não só nas ações, mas também em novos modelos de negócios sustentáveis, também na área da propaganda.
Afinal, qual é a ferramenta de trabalho de nós publicitários?


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