Eu sei que ultimamente tenho batido muito nessa tecla, mas gostaria de ter visto a reação de alguns profissionais, donos de agência e graúdos do setor ouvindo Gustavo Fortes falar que a Espalhe não compra mídia. Li por aí que, com 5 anos de mercado, a agência tem aproximadamente 30-40 funcionários, o mesmo número de profissionais que trabalha na maior agência aqui de Blumenau e que nesse ano completa 20 anos, “consolidando-se” como uma das dez maiores do estado. Sou só eu que vejo um pingo de ironia nisso?
Certo! Talvez o número de funcionários não justifique qualidade de trabalho e tempo de mercado não seja garantia de sucesso. Outros fatores têm que ser levados em conta quando queremos qualificar uma agência. Mas quer mais um exemplo, um tanto quanto babaca mas sincero? A primeira palestra foi algo de se babar. André Galiano da Branding Analytics (que depois, entre uma cerveja e outra descobrimos ser um músico de mão cheia) veio falar de marca, branding e posicionamento. Fascinante, mesmo. Mas práticas muito distantes para o mercado da região. Enquanto ele comentava que o gerenciamento de brainding acontece em todos os níveis de uma empresa e que a criação de uma marca aspiracional vai além do pensar num slogan matador criado por uma agência de propaganda e um logotipo equilibrado criado por um estúdio de design, me pensei como uma mosca, depositando meus ovos dentro de uma das agências aqui da cidade e ouvindo a seguinte frase: “O cliente quer uma logomarca para ontem! Vamos ter que pedir uma pizza!”
André elogiou o tema de TCC da Joana, por exemplo, que pretende analisar as redes sociais virtuais como ferramenta de CRM. “Esse é o futuro!”. Mas eu pergunto: o futuro para quem? Na agência que eu trabalhava, tive de ouvir um cliente perguntando como se roubava comunidades do orkut para poder controlar o que os usurários escreviam. Sinceramente, eu gostaria de ouvir respostas melhores que essa, na monografia dela.
Mas indo ao que realmente interessa, logo de cara, esbofeteando (no bom sentido!) os presentes, Gustavo Fortes matou a cobra e mostrou o pau, usando o Google como um bom exemplo de empresa que não usa propaganda para se promover. A palestra seguiu, e como eu previa, da platéia só se viam olhares e comentários do tipo “cacete, isso é muito bom!”. Para quem acompanha o trabalho da Espalhe ou já acessou o site da agência, não foi uma palestra de grandes novidades. Completamente compreensível: talvez 70% dos que estavam ali nunca tinham ouvido falar em marketing de guerrilha, ou possuíam uma concepção errada do termo. Esse apanhado geral, junto com uma apresentação do método de trabalho da agência desmistificou logo de cara que guerrilha é só viral e “coisas engraçadas que circulam a internet”. Menos mal.
Para mim, valeu como um ótimo reforço. Não é todo dia que a gente tem uma aula quase VIP com quem entende realmente do assunto, não é mesmo? Tirei dúvidas e confirmei alguns pontos que rondavam a minha cabeça nos últimos tempos, tudo pessoalmente. Ganhei (mais) adesivos e troquei links. Mas o que valeu mesmo foi o bate-papo regado a Eisenbahn na saída do evento. Gustavo Fortes que o diga.


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