Para mim, esse assunto não rendia um post. Não aqui ao menos. Mas acho que como todo blogueiro (ou ser humano, talvez?), não costumo dar a outra face. Diz a lenda que só um cara fez isso, e olha que faz tempo. Mas também dizem que ele tranformava água em vinho… então, não dá para levar esse papo muito a sério.
Voltando ao assunto, o tema já rodou alguns blogs e listas de discussão, com gente muito boa bastante ofendida gritando alto. Os blogueiros sofreram alguns golpes nessa semana. Uns mais fortes, dados por um lado mais conservador dos estudiosos de internet. Outros mais espalhafatosos e insignificantes, ao som de Candle in the Wind e trajando um blazer rosa, que me lembrou muito a atitude daquele pai que reclama da saia da filha quando ela vai sair, mas mal sabe que a menina não veste nada por baixo e está sedenta por diversão (ok, peguei pesado).
Mas a gota d’água rolou no Brasil mesmo, com a nova campanha do Estadão. É um divisor de águas na batalha idiota e sem sentido entre mídia tradicional e a dita mídia nova. Um reflexo do desespero das grandes instituições midiáticas e do entretenimento, vendo perplexos seus grandes castelos de dinheiro ruir. Foi assim quando as grandes gravadoras dos EUA passaram a processar velhinhas e crianças que baixavam músicas pela internet. Desta vez foi o Estadão quem atirou a primeira pedra e declarou guerra. Comparar-nos à macacos foi como afundar um submarino na eminência de uma grande merda acontecer.
Sinceramente, eu não acredito nessa história de jornal versus blog. Continuo lendo, todas as manhãs quando chego na agência, os jornais que aqui estão. Não todos os cadernos, não cada parágrafo. Mas o jornal ainda me dá uma visão mais completa sobre certos assuntos, principalmente os mais regionais. Como veículo para anunciar produtos e serviços, são outros quinhentos, assunto para outro post. Mas a Folha de São Paulo é um bom exemplo de como integrar ambos, meio que aos trancos e barrancos no começo, porém com uma postura muito legal agora. Adotou vários blogueiros de peso comunicando à certos nichos de audiência e têm neles um canal de interação mais espontâneo e rápido com seus leitores. Hoje, a globo.com também faz isso. Afinal, se não se pode abrir mão do tradicional, integrar essas novas ferramentas no seu mix de serviços é uma ótima solução para quem não quer ver o castelo ruir por completo. Utilize de forma diferente, mas nunca bata de frente, principalmente quando, por exemplo, 1/3 da população européia já deixou de comprar um produto por que leu em um blog que ele era ruim. Aqui, somos quase 50 milhões de internautas e aproximadamente 6 milhões de blogueiros. Vai encarar, “mermão”?
É impossível, numa blogdiversidade tão grande não haver muita porcaria sem sentido. Mas também é muito difícil não ter opinião de qualidade, relevância e inteligência. E quem faz essa seleção “natural” é o próprio leitor, a própria audiência.
Trazendo o papo aqui para perto, o pior é que com esse tapa na cara do Estadão, o filme dos bogs vai queimar junto aos anunciantes menos antenados. Minha pesquisa para a monografia medirá essa tendência melhor, mas não duvido - porque já senti na prática, também - que com mais essa besteira dita sobre os blogs, os clientes se afastarão ainda mais dessa nova ferramenta tão fascinante, perdendo uma grande oportunidade de comunicar e ganhar dinheiro.
Entre mortos e feridos, vamos aguardar como terminará essa história toda. Se é que ela terá um fim..
PS: Não linkei o Estadão de propósito. Eles não querem que um macaco recomende o site deles para alguém, não é mesmo?