Depois de vários problemas com o nosso excelentíssimo servidor, posso finalmente voltar aos trabalhos com o blog, aos pouquinhos. Se o dito cujo cair novamente, não se espante: dê alguns minutos para ele controlar o seu mau humor e volte mais tarde.
Já que a cara fechada dominou os últimos dias, vou escrever sobre algo legal para dar uma animada. Afinal, o astroturfing é uma das ferramentas que mais me interessam no espectro do marketing de guerrilha. Ele caminha no limiar entre o ético e o não ético e, assim como tem um grande poder de alavancar personalidade à marca, também pode destruir aqueles que o utilizam com interesses que não forem realmente sinceros. O feitiço pode virar contra o feiticeiro, sem dó nem piedade.
Apesar de alguns questionamentos quanto a validade da ação terem saído na mídia, a Oi utilizou-se muito bem da ferramenta ao lançar a campanha a favor do desbloqueio dos celulares. “Angariou” blogueiros famosos à causa, criou um hotsite com tom de protesto, motivou as comunidades do orkut, abusou do bom humor e insitou a viralização. Como se isso não bastasse, antes de mais nada, ousou guerrilheiramente na atitude, ao apoiar algo que, nas visões mais retrógradas, prejudicaria na hora de contabilizar os lucros. Ficou do lado do consumidor e abalou o status quo das outras empresas de telefonia celular, ganhando simpatia das pessoas, mídia espontânea e muito buzz. Esses são os pontos chave do astroturfing.
Para regionalizar (como sempre), um movimento que daria um ótimo case de astroturfing - caso alguma empresa olhasse com outros olhos para a causa - , seria um real apoio à Associação Blumenauense pró-Ciclovias. O tema interessa a boa parte da população, tanto na esfera municipal (já que a atual malha cicloviária da cidade é uma vergonha) como mundial, tendo em vista as questões ecológicas tão abordadas atualmente. Por isso, a ABC aparece quase todos os meses com alguma nota nos jornais, ora pela eficiência com que lutam pela causa, ora pelos eventos que promovem. Quem gosta do assunto já percebeu: um forte gerador de mídia espontânea e um grande potencializador de buzz muito interessante à marca que se engajar de verdade no movimento. As próprias ciclovias - que atualmente levam do nada para lugar algum - seriam ótimos pontos para ações de emboscada, perfomance e pr stunt.
Obviamente, toda e qualquer ação de astroturfing tem de ser sincera. Cristopher Locke, no seu maravilhoso livro Marketing Muito Maluco, nos elucida melhor sobre a questão do marketing social x marketing de causa, que são como água e óleo. O primeiro leva ao sucesso duradouro e o outro - baseado antes de mais nada no próprio umbigo corporativo - ao fracasso, mesmo que tardio. Engajar-se verdadeiramente é o melhor a se fazer. Os consumidores, que em determinados nichos já abominam a propaganda tradicional, rechaçam de forma avassaladora todo e qualquer esforço publicitário maquiado de boa vontade. E assim como a identidade visual da sua empresa comunica, a forma como ela age na sociedade também diz muito sobre o que ela pensa do seu consumidor.


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